quando o tempo passa devagar devagarinho. quando até o pestanejar é nostálgico. parecendo mais um bater de asas. de passarinho que voa do ninho. quando queremos guardar aquelas palavras para sempre. aqueles olhos que nos procuram a alma. e que apaixonadamente nos revelam sentimento. quando queremos guardar aquele momento. que passa lentamente. que gravamos com carinho no coração. para um dia recordar com saudade. quando queremos apenas que aconteça em câmara lenta.
"Não sei quantas almas tenho.Cada momento mudei.Continuamente me estranho.Nunca me vi nem achei.De tanto ser, só tenho alma.Quem tem alma não tem calma.Quem vê é só o que vê,Quem sente não é quem é,Atento ao que sou e vejo,Torno-me eles e não eu.Cada meu sonho ou desejoÉ do que nasce e não meu.Sou minha própria paisagem,Assisto à minha passagem,Diverso, móbil e só,Não sei sentir-me onde estou.Por isso, alheio, vou lendoComo páginas, meu ser.O que segue não prevendo,O que passou a esquecer.Noto à margem do que liO que julguei que senti.Releio e digo: "FUI EU?"
Deus sabe, porque o escreveu. "
Fernando Pessoa